Boa noite!
Para ler e conhecer uma bela história criada pelo escritor Raní de Souza. Ao final tem o endereço eletrônico do texto original para você comparar.
Adaptação
teatral do conto "Irmãozinho de coração"
Fundo musical
NARRADOR: Era uma vez,
não era duas ou três, mas sim uma noite muito linda, um céu cheio de estrelas.
Um banco e uma folhas de jornal. Um menino mal vestido e um pouco sujo.
CIDI: (Olha triste para o céu, muito pensativo... Fala alto
seus pensamentos.)
– Ai que friagem nesta noite. A fome também ta chegando.
(Esfrega as mãos... Olha para o público e fala)
– Eu já tive casa. Tive pai...tive mãe. Nunca me esqueço que
antes de dormir dizia “Bênça” pai! “Bênça, mãe!”
(Música alegre, sons de passarinhos para introduzir um lindo
amanhecer.)
MARIE: (Chega na sala de pijama.)
– Bom dia sol! Bom dia passarinhos!! Bom dia,mamãe! Bom dia, papai!
DONA DALVA - MÂE: - Bom dia, Marie! Vai logo escovar
os dentes, filha! Ontem você quase
perdeu o ônibus!
WILL - PAI: - Dormiu muito bem, Marie! Mas sua mãe
está certa! Vamos lá, vamos lá “Marrí”, linda do papai.
MARIE: - Já
tô pronta. Tchau pai, tchau mãe.
WILL: - Se cuida, Marrí! Você tem uma quadra movimentada
até chegar à escola!!
(Sai para a rua ...)
– Hoje a aula vai ter Artes. Eu vou adorar fazer um
desenho lin-do!! Adoro estudar. Mas
quando tem Artes eu nem vejo o tempo passar!
(Sai do palco.)
(Música para passar o período de aula.)
MARIE: - Hoje eu me
atrasei e perdi o ônibus. Não faz mal, eu espero o próximo ônibus e depois
explico pra meus pais o atraso.
- Olha! Um menino
deitado no banco. Oi, o que faz aí sozinho? Tá perdido?
CIDI: (De cabeça baixa.) – Sim... tô há muito tempo.
MARIE: - Vem, vamos
até lá em casa fazer um lanche!
CIDI: - Vô mesmo, a fome ta graaande!
MARIE: - Olha, vem vindo o ônibus. Vamos nessa!
(Barulho de ônibus.)
MARIE: - Vamos descer aqui. Minha casa fica logo ali. Me
conta de sua vida.
CIDI: - Me chamam de Cidi. Meu nome é... Aparecido! Eu tinha
casa, tinha pai e mãe. A gente morava no interior. Certa noite teve um assalto
e meus pais que eram os caseiros da fazenda foram mortos. Foi muito triste.
MARIE: - Só imagino. E daí?
CIDI: - Os patrões não quiseram ficar comigo e me botaram num
orfanato. Lugar feio, mal cuidado... Gente que não se importava. Fugi. Fico por
aí... nas ruas...
MARIE: (Sorrindo!) – Não fica triste Cidi, eu prometo ser tua
amiga.
(Chegando em casa.)
MARIE: – Eu moro aqui!
CIDI: – Meu Deus, que casarão! (Deu um passo pra
trás...)
MARIE: – Não tenha medo, tá tudo bem. Oba! A mãe já tá
em casa. O pai chega mais tarde.
D. DALVA: – Oi Marie !
Quem é?
MARIE : – É um amigo
que conheci e convidei ele pra fazer um lanche.
NARRADOR: - Dona Dalva
ficou preocupada , viu que o menino era de rua, mas ao mesmo tempo ficou
impressionada com a atitude da filha. Mas mesmo assim não demonstrou espanto.
D. DALVA: – Venham
crianças comer o bolo!!
MARIE: – Vem Cidi.
Minha mãe faz um bolo de chocolate que é
uma delícia.
CIDI: (Meio acanhado...) – O...obri...ga...do!
MARIE: - Mãe, encontrei
Cidi na praça e ele me contou sua história.É muito triste. Depois te conto. Mãe,
ele podia tomar banho e dormir aqui em casa. Deixa, vai!!!
D. DALVA: – Tudo bem,
crianças. Já já pro banho, que vou
preparar o quarto de visitas e depois o jantar!!
(Música para intervalo. Chega o marido. Dalva conversa com o
marido.)
DALVA: – Então foi
isso que aconteceu, Will.
WILL: – Beleza! Marie
sempre teve coração grande. Ela é muito especial. Não tem problema nenhum se o
garoto dormir aqui.
DALVA: – Que foi,
ficou pensativo...
WILL: – Lembrei que
Marie queria ter um irmãozinho... Mas nós não podemos ter mais filhos...
NARRADOR: – O tempo
foi passando... Já fazia três semanas que Cidi estava na casa da família de
Marie. O garoto tinha noção de que estava importunando aquele lar.
CIDI: – D. Dalva, sei
que era para eu passar apenas uma noite aqui em sua casa. Mas já faz três
semanas que estou aqui. Se estiver dando algum trabalho é só a senhora falar
que eu vou embora! Eu me sinto um intruso. Como poderia continuar aqui?
DALVA: – Converso melhor uma outra hora, tenho que
ir trabalhar. Tchau, qualquer coisa pede
pra Cláudia que ela te atende.
(Música infantil – aparece Marie e Cidi brincando de
pega-pega, e outras, brincavam muito. Ver!)
DALVA (No telefone.) – Will, hoje Cidi me falou que já ficou muito tempo em nossa casa. Três semanas e que
queria ir embora.
WILL: – Sim, mas
parece que ele se acerta bem com a Marie.
DALVA: – Eu também acho.
WILL: – Querida, nós
estamos cheios de serviço hoje. Que tal falarmos outra hora?
DALVA: – Tá bem,
tchau.
(Em casa.)
WILL: - Dalva, vim mais
cedo para conversarmos. Claudia, onde estão as crianças?
CLAUDIA: - Eles estavam brincando no pátio, mas agora não
estão mais lá!
NARRADOR: - Enquanto isso, Marie e Cidi brincavam de explorar
a mata, mas não tinham se dado por conta que estavam longe de casa e perdidos,
mas continuaram brincando muito alegres. Preocupados, os pais de Marie
começaram a procurá-los.
Depois de horas procurando, encontraram-nos a cinco quadras
da casa.
DALVA: - Marie, Cidi!!
Onde andavam?
WILL: - Nunca mais saiam sem avisar! É muito perigoso.
DALVA: – Marie, isso
não se faz, vai ficar de castigo! (Ela sai chorando...)
CIDI: – Eu sou culpado por ter dado a ideia da
brincadeira, depois de tudo que vocês fizeram por mim. (Dizendo isso saiu.)
WILL: (Olhando pela
janela ) – Dalva, Cidi está indo embora. (Sai atrás dele.) – Ei, aonde você
pensa que vai, rapazinho?
CIDI: – Desculpa senhor, vou embora, já causei muitos problemas pra sua família. Você não
vai embora, não! Entre, o jantar já está servido.
NARRADOR: - Passaram-se dias, meses, era o dia do aniversário
de Marie. Completava 10 anos.
MARIE: – Mãe, pai, eu não quero festa. Não tenho muitos
amigos. Uma festa em família já está muito bom.
No dia do almoço...
(Mesa arrumada, balões, bolo...)
CIDI: – Nossa, que festa linda, meus pais nunca puderam me
dar uma festa assim. (E fica triste.)
MARIE: – Não fique assim, aqui todos gostam muito de
você. Seu pai e sua mãe, onde quer que estejam , devem estar muito felizes. Venha comer!!
CIDI: – Espere, tem
uma coisa pra te dar. Tome, era da minha mãe.
MARIE: - Eu não posso aceitar.
CIDI: - Não, não, é seu esse colar.
DALVA: - É hoje um dia muito feliz. Vamos festejar.
(Todos sentam à mesa, se servem felizes, música de
aniversário.)
WILL: – Um minuto de
atenção! Tenho algo muito importante para entregar para minha filha! (E entrega
um envelope de ofício -)
MARIE: - Hum... que
será isso. (Leu... Pulou de felicidade) – Pai, mãe, não podia ter ganhado
melhor presente. Cidi! De agora em
diante, você é oficialmente meu irmão!! Oba!!!
CIDI: - Oba!! (E
pularam de contentes.)
DALVA: - Will, não sabia que tinha feito os papéis de adoção.
Estou muito feliz!
MARIE: – Ele é meu irmão desde o momento em que vi
deitado naquele banco.
NARRADOR: - A família aumentou de tamanho e de felicidade,
pois era o melhor presente que Marie havia ganhado em sua vida. Uma menina
cheia de amor em seu coração, tudo que é pequeno, além de qualquer gesto é
feito com carinho, não se compra, não se vende, apenas cresce.
Conto de Raní de Souza e Alexandra Rauch de Souza, 24/07/2014